Falta de serviços em postos de saúde 

municipais causa superlotação de UPAs

Sem médicos em unidades mistas, doentes buscam atendimento nos postos de saúde do estado.

Por causa da falta de serviços considerados essenciais em hospitais e unidades mistas da capital maranhenses, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) estão com grande demanda de pacientes que buscam, nesses locais, serviços ambulatoriais e de emergência. Com a demanda excessiva, dependendo do horário, algumas pessoas que procuram uma das cinco UPAs de São Luís (Araçagi, Parque Vitória, Itaqui-Bacanga, Vinhais e Cidade Operária) estão aguardando, em média, de duas a cinco horas para serem atendidas.
Na UPA Itaqui-Bacanga, segundo a direção, em dias com maior fluxo de pacientes, são feitos de 400 a 800 atendimentos. A grande maioria, antes de se deslocar para a UPA, procurou, sem sucesso, uma unidade de saúde administrada pela Prefeitura de São Luís. O Estado presenciou, por volta das 15h30 de ontem, na UPA Itaqui-Bacanga o drama do aposentado Antônio Ferreira da Costa, de 84 anos. Ele, acompanhado por familiares, estava no local desde as 11h. "Antes, fomos a Unidade Mista do Itaqui-Bacanga e lá, recebemos a informação de que não havia médico. Estamos aqui há um bom tempo aguardando para que meu pai receba atendimento e até agora nada foi feito. Por causa da falta de médicos na unidade municipal, estamos aqui, assim acontece com várias pessoas", disse a filha do aposentado, Maria Luiza Ezequiel, moradora da Vila Mauro Fecury.
O estudante Marcelo Louzeiro, de 22 anos, morador da Vila Maranhão, também esteve na UPA Itaqui-Bacanga, na tarde de ontem, em busca de atendimento para a mãe, Maria Aparecida Louzeiro, de 43 anos, que tinha febre alta e dor de cabeça. Questionado sobre o motivo de não ter sido atendido no Centro de Saúde Yves Parga (da Prefeitura de São Luís), na Vila Maranhão, o estudante disse que nem procurou a unidade municipal. "Todas as vezes que chego lá, nunca sou atendido ou me encaminham para outro local. Dessa vez, decidi direto aqui, apesar de estar lotado, ainda vale à pena vir na UPA", afirmou.
A diretora-administrativa da UPA Itaqui-Bacanga, Perpétua Brito Feitosa, afirmou que o local tem uma equipe permanente, constituída por cinco médicos, além de enfermeiros. "Estamos fazendo o possível para dar conta de tudo. Porém, a gestão da saúde precisa ser compartilhada, o que não está acontecendo. Muita gente que poderia estar sendo atendida em outro local está vindo para nossa unidade e como não podemos virar as costas para ninguém, pedimos paciência a todos. No entanto, cumprimos com nossa obrigação, que é a de atender a todas as pessoas", afirmou.

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O Estado também esteve na Unidade Mista Itaqui-Bacanga, da Prefeitura de São Luís, por volta das 16h30 de ontem. No local, no setor de urgência, apenas um funcionário - que não quis ser identificado - informou que, naquele momento, havia médico. Foi possível flagrar o descaso com a limpeza da unidade de saúde. Na urgência, no setor onde é feita a triagem dos pacientes, até mesmo um cachorro transitava no espaço.
Iniciada na gestão municipal anterior, uma obra inacabada de um hospital, às margens da BR-135, próximo ao Terminal de Integração do Distrito Industrial, estão sendo usadas indevidamente por pessoas que invadiram o local para usar a estrutura como abrigo. A Prefeitura de São Luís informou que está sendo executado o projeto de construção, no local, de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) administrada pelo Município e feita com recursos próprios. Ainda segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Semus), em breve deverá ocorrer a fase de licitação para a escolha da empresa que será a responsável pela construção da UPA municipal. Sobre a falta de médicos e de atendimento nas unidades Itaqui-Bacanga e Yves Parga, até o fechamento desta edição, não houve resposta da gestão municipal sobre o assunto.

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